Hoje o dia vai ser tranquilo. Tanto que tiraremos o domingo pra fazer turismo (andar de balsa de uma margem à outra do rio, o que rende fotos legais; visitar a Catedral, a quem devemos nossa capacidade de localização nessa cidade; ir ao famoso Bodódromo, onde “o carneiro é que sofre e o bode leva a fama”). Também vamos comprar Cataflan pra Tici, porque esse dedo dela está um negócio medonho, e agora ela já manca. Se der tempo ainda visitaremos Pedrinhas, uma espécie de balneário de Petrolina. Esse é nosso penúltimo dia aqui: amanhã iremos à CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco) e ao Distrito de Irrigação do Perímetro Senador Nilo Coelho (que controla o projeto, aquele do qual temos falado ultimamente).

 

CLIMA:

Em Petrolina não se sua, mas se passa calor.

É difícil uma gaúcha e uma catarinense de São Joaquim admitirem, mas o vento também nos fez passar frio.

Sombra? Que sombra?

Chuva é coisa raríssima. Mas quando vem, é temperamental ao extremo. Tome cuidado com ela.

 

TRÂNSITO:

Todo cuidado é pouco, mas pouco mesmo.

Os carros param na faixa de pedestre até em rodovia, o que exige freadas bruscas e aparentemente sem sentido de quem vem atrás, mas são barbeiras até o último fio de cabelo. As ruas são o caos.

As lombadas brotam do chão nos lugares mais impróprios e improváveis.

Entre duas ruas que se cruzam sempre há uma vala, praticamente um barranco. É quase preciso engatar a primeira marcha para atravessá-las.

Estacionar é impossível.

As bicicletas acham que são motos.

Apesar de tudo, é fácil se achar porque a sinalização é boa e a cidade é planejada, o que faz com que suas ruas tenham uma certa lógica.

Para achar a verdadeira caatinga, tens que andar por bastante tempo pelas vias secundárias. Ou atravessar a ponte e ir para a Bahia.

As rodovias são retas intermináveis e com poucos buracos. Temos a impressão de que ficaremos pouco tempo na estrada entre uma cidade e outra.

 

COMIDA:

Baião de dois não é uma refeição que dá pra dois. É uma mistura de arroz, feijão, calabresa, bacon e o que mais se quiser por dentro.

Tapioca doce é boa; a salgada nem tanto.

Cuscuz de milho e caju, só em caso de extrema necessidade alimentar.

Uva sem semente: aproveite, porque só tem aqui.

Sabor de suco é algo que sempre desperta dúvidas. Não esqueça de perguntar o que você está prestes a beber.

Sem dinheiro? A solução são frutas. Dois sucos de 500 ml, um de laranja e um de maracujá, uma fruta do conde, uma bandejinha de morangos e 800 g de uva sem semente custaram exatamente R$ 5,60.

Farofa é onipresente.

A carne de bode, de carne de bode não tem nada. É tudo ovelha, ou carneiro, como chamam aqui.

Água, muita água.

 

VOCABULÁRIO

Você não entende nada do que os pernambucanos dizem? Eles também não entendem o que você diz. Fale devagar.

Pinha – fruta do conde

Giratória – rótula

Vocês são viradas! – Vocês sabem se virar sozinhas!

Macaxeira – mandioca

Cabra – cara

 

LIÇÃO

Enquanto uma anota a outra tira fotos e faz vídeos. É o melhor sistema: as fotos saem melhores e não precisa de tanta edição depois; e pra escrever a matéria, é melhor que só uma escreva.

As pessoas são muito dadas ou muito fechadas. Não há meio termo.

Não use camisetas com bandeiras de países europeus ou dos Estados Unidos. O risco de as pessoas começarem a falar em inglês com você ou perguntarem pra sua companheira (que é mais morena) se você é estrangeira é grande.

Bolsas térmicas não funcionam sem gelo.

Sempre peça que limpem seu quarto no hotel.

Bloqueador solar sempre.

Todo mundo fica olhando mesmo, não dê bola.

Não adianta trocar de rádio, a tortura está presente em todas. Axé, pagode e forró é só o que têm.