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É da represa do maior rio inteiramente nacional, formadora do maior lago artificial da América do Sul, que vai sair a energia para alimentar a maior obra de infra-estrutura do governo Lula

 

 

A placa ao lado do prédio onde estão as turbinas diz que há 95 dias não acontece um acidente com perda de tempo. Quer dizer que há 95 dias nenhum funcionário da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na divisa entre Bahia e Pernambuco, pára de trabalhar por causa de algum acidente, causando a tal “perda de tempo”. E, mesmo que haja um afastamento, as turbinas não descansam: durante o dia inteiro, os 300 empregados cumprem turnos de 6h para mantê-las produzindo a energia que abastece a Bahia.

 

No futuro, a Usina de Sobradinho vai gerar a força necessária para levar a água dos eixos Norte e Leste da transposição do Rio São Francisco até Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Controlada pela CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), a barragem de Sobradinho é o segundo maior lago artificial em espelho d’água do mundo e pode gerar até 1.050 megawatts – cada uma das 6 turbinas produz 175 megawatts.

 

Com esses números, o engenheiro elétrico Daniel Araújo refuta a afirmação de que a transposição vai prejudicar o abastecimento de energia no Nordeste. Por causa da interligação da malha energética entre todas as regiões do Brasil, Sobradinho receberia energia de outra usina em caso de necessidade. Um possível aumento nas contas de luz também não aconteceria porque a capacidade de produzir a força que conduzirá a água pelos canais da transposição já está instalada.

 

“Não vai haver prejuízo à energia do Nordeste. E o preço não vai aumentar com a transposição porque existe capacidade para gerar energia sobressalente”, argumenta Daniel. Em uma fase inicial da obra, com necessidade de alimentar apenas uma subestação, seriam necessários entre 30 e 70 mil volts. Com a rede interligada, Sobradinho pode fornecer até 500 mil volts.

 

Às vésperas do início da época de chuvas na nascente do São Francisco, na Serra da Canastra, Minas Gerais, a represa está com 54 % de sua capacidade total. A previsão é que a partir do mês que vem, quando começar a chover nas cabeceiras do rio (período este que vai até dezembro), a quantidade de água da barragem aumente. O lago de Sobradinho pode abrigar 34 bilhões de m3 de água em uma área de 300 km de extensão por 12 km de largura.

 

Quando foi construída, a Usina desabrigou 70 mil pessoas e alagou quatro cidades: Casa Nova, Sento Sé, Remanso e Pilão Arcado. À época, o custo total da obra foi de U$ 870 milhões (dezembro de 1979). Daniel explica que ainda poderiam ser construídas no São Francisco mais duas barragens para usinas de pequeno porte, com produção de cerca de 100 megawatts. Mas de usinas de grande porte, como as de Sobradinho, Três Marias (MG), Itaparica (PE), Paulo Afonso (BA) e Xingó (PB), o rio está saturado.

 



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