Selo de not�ciasA história do município de Santa Maria da Boa Vista se perdeu entre as gerações. As informações que existem hoje são contraditórias e desconexas

 

Há muitos e muitos anos, um coronel rico, que criava gados às margens do rio São Francisco, viajou e levou consigo sua esposa e filha. Numa típica manhã ensolarada do sertão nordestino, a menina resolveu sair para brincar com os filhos dos peões e desapareceu. Como o coronel era um senhor muito religioso, zeloso e preocupado, fez uma promessa: construiria uma igreja aonde encontrasse a filha perdida. Promessa feita, filha encontrada, promessa paga.

A história não é bem assim. Na verdade, nem os próprios habitantes de Santa Maria da Boa Vista conhecem muitos detalhes sobre essa lenda da origem da cidade. O que se sabe é que a partir da igreja a região desenvolveu-se, foi rodeada de casas, fazendas e comércio. E de lá para cá se passaram 169 anos.

Hoje a melhor maneira de resgatar a memória do município é conhecer o Museu Coripós – nome dado em homenagem aos primeiros habitantes da região. A casinha verde à beira do rio preserva arquitetura antiga e guarda fotos, objetos e utensílios domésticos de famílias tradicionais da cidade, exposição de quadros e esculturas de artistas locais. Ali descobre-se, por exemplo, que os municípios de Petrolina, Lagoa Grande, Orocó e Ouricuri já foram distritos de Santa Maria da Boa Vista e que o prédio onde hoje é o museu já foi um presídio e uma casa de internação para tuberculosos.

A administração do museu pretende resgatar a história do município e sua relação com o rio e editar um livro. As informações são muitas, mas contraditórias e desconexas e a falta de incentivos à pesquisa e a desvalorização do que é local desanimam a diretora Maria de Fátima da Silva Pereira. “As pessoas precisam cair na real e valorizar o que é da terra. O rio, por exemplo, é fonte de renda de muitos ribeirinhos e agricultores e eles não reconhecem isso, não se orgulham do que é daqui.”

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