Selo de notãias O Governo Federal pretende construir duas usinas hidrelétricas no leito do São Francisco, inundando toda a zona ribeirinha de cidades como Santa Maria da Boa Vista

 

 

O segundo maior município de Pernambuco em área vai ter toda sua zona ribeirinha engolida pela água. Ou melhor, pela barragem que a CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) pretende construir na localidade de Inhanhuns, na zona rural de Santa Maria da Boa Vista. O projeto, atualmente em fase de estudo de impacto socioeconômico, foi apresentado à população boavistana em uma audiência pública.

 

Nas previsões iniciais da CHESF, Santa Maria da Boa Vista, com 40 mil habitantes, seria o município mais atingido pela barragem. Quando os técnicos da companhia apresentaram a proposta da represa, o prefeito Leandro Duarte fez duas exigências: que a usina hidrelétrica seja construída no lado pernambucano (para trazer encargos e empregos para Santa Maria) e que as populações a serem realocadas o sejam de forma a permanecer no município e fazendo parte da mesma comunidade.

 

 

 

Vereador George Duarte“Estávamos dispostos a não aceitar que iniciassem os trabalhos da barragem sem que as terras fossem localizadas”, assegura Geoge Duarte, vereador de Santa Maria e irmão do atual prefeito. De acordo com ele, a CHESF concordou informalmente com as exigências, mas o novo estudo levando-as em conta ainda não foi divulgado. A contrariedade quanto à obra levou os políticos da cidade a consultarem os assentados e reassentados do município que prometeram ajudar em uma possível resistência.

 

Santa Maria da Boa Vista possui 44 mil hectares nas mãos de reassentados da represa de Itaparica – pessoas realocadas de suas antigas propriedades por causa da inundação causada pela barragem. São ao todo 1.500 famílias divididas em 47 agrovilas. Além dos reassentados, a população de assentados do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) é uma das maiores do País: 2.072 famílias em 20 áreas. O segundo maior assentamento brasileiro, o Catalunha, fica no interior de Santa Maria e tem 600 famílias.

 

Ao contrário do que afirmam os índios trukás de Cabrobó, as barragens que a CHESF pretende construir no leito do São Francisco – além da de Santa Maria da Boa Vista, haverá uma no município vizinho de Orocó – não tem nada a ver com a transposição do rio, afirma George. A única atitude da administração municipal sobre a obra foi o encaminhamento de um manifesto a deputados e ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. “Não é justo que a água vá para 300, 400 km de distância quando tem gente aqui a 5 km passando sede”, explica George.

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