Estamos devendo o saldo da nossa estada em Santa Maria da Boa Vista, Orocó e Cabrobó. Desculpem-nos os que só vêm aqui pra ler posts pessoais, mas nossas impressões foram relegadas nos últimos dias em detrimento das matérias. E das roupas lavadas. E das raras oportunidades de assistir TV. E das ligações pra família (aí inclusos o Fábio e a Keka). E do cansaço – aliás, que cansaço…

 

Mas aqui estamos nós, finalmente em Belém de São Francisco. Aos que se preocuparam por termos passado mais de 30 horas sem postar aí vai nossa prestação de contas. Está em ordem cartográfica, não em ordem cronológica de visitação. E retroativa ainda por cima. Olha que legal! Vamos lá, pessoal, com vários comments se faz um megablog bombado!

 

Santa Maria da Boa Vista

Vimos o pôr-do-sol mais lindo do mundo (depois do de Panambi, claro) – na dúvida, consulte o slideshow abaixo. Também descobrimos o quanto uma cidade pode ser ignorante de suas raízes, mesmo tendo 200 anos de história (ou por causa disso, sei lá). Ah, e conhecemos o seu Valberto! Em uma conversa rápida – mas que pareceu demorar horas – ele nos contou que conheceu Padim Ciço (Padre Cícero, pros não íntimos) antes da ordenação (mesmo tendo nascido em 1928 e o padre ordenado em 1871) e que foi ao casamento de Lampião e Maria Bonita em São Paulo. São Paulo?! Isso mesmo! Outra experiência empírica digna de nota foi que mesmo com o pior colchão do mundo e uma quantidade amazônica de mosquitos se consegue dormir feito pedra. De Santa Maria trouxemos os dias mais empoeirados do sertão pernambucano e a saudade dos galões de água de 5 litros.

 

Orocó
Sabe aquela piadinha da cidade que é de primeira porque quando tu engatas a segunda a cidade já ficou para trás? Então, Orocó é mais ou menos assim. Mas se a visitares, cuidado: os quebra-molas são mortais – não tão assassinos quanto os de Vermelhos, mas mais numerosos e idiotamente distribuídos. No segundo dia que fomos lá (faltou uma fonte pra matéria daí tivemos que voltar, ao contrário do que tínhamos planejado) vimos as vacas mais gordas do universo em expansão. Estavam placidamente atadas às árvores do canteiro no meio da rua, logo no início da cidade, sem ninguém por perto. Aqui, onde jegues e bodes andam tranquilamente em meio às pessoas a cena não é surpreendente; mas eram umas vacas ENOOORMES!

 

Cabrobó
Índio fazer barulho? Capaz. Índio é que nem eu ou tu, só que de outra etnia. Se veste com roupa, usa sapato e planta arroz pra vender e ganhar dinheiro. Perdi todas as minhas idéias pré-concebidas de povos indígenas, fundamentadas em anos e anos de Globo Repórter com homens pintados de beiços gigantes falando um português titubeante. No hotel, quando a Tici foi tomar banho e a água estava gelada descobrimos pra quê serve aquele interruptor do lado do chuveiro – isso no dia que teve água, porque ficamos sem banho uma noite. Mas nem só de belezas se faz um TCC: tivemos a infeliz experiência de ter que passar várias vezes por uma placa enorme na qual estava escrito “bauneário”. Fomos visitar o Exército e sentimos na pele o que os guris do Jornalismo sempre dizem: é muito mais fácil ser jornalista mulher (ao menos nesse caso).

 

 

LIÇÕES

As pessoas estão sempre prontas pra largar tudo o que estiverem fazendo e nos levar conhecer suas roças, suas casas, seus filhos…

 

As frases universais que nos perseguem:

– São só vocês duas? (um arregalar de olhos e um queixo caído após a resposta afirmativa)

– E quem dirige? (o olho aumenta mais ainda e o queixo encosta no chão quando dizemos que as duas sabem dirigir)

– Mas vocês são corajosas, hein! (a princípio víamos como um elogio, agora só nos desperta um sorriso amarelo)

 

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