Selo de not�ciasDas 5.449 pessoas atingidas pela inundação da Barragem de Pedra Branca, 3.901 serão de Orocó

 

O destino dos moradores de Orocó é incerto. As obras da Barragem de Pedra Branca (BA) devem começar em um ano e os 3.901 ribeirinhos atingidos pela inundação só sabem que terão que sair de casa. Para aonde vão, quanto receberão de indenização, o quão fértil será o novo terreno, nada foi lhes explicado.

João Manoel LandimO agricultor João Manoel Landim vive com a família em 80 ha de terra na beira do rio São Francisco e terá todo o lote inundado. O sustento das 12 pessoas é garantido com o cultivo de cebola, feijão, arroz, manga, goiaba e maracujá nos 15 ha irrigados do terreno. Como representante de sua categoria no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, seu João está preocupado com a política de reassentamentos que será promovida. “Aqui em Orocó tem muita gente que veio da Barragem de Itaparica, conheço as falsas promessas das empresas construtoras. Meu medo é que a gente acabe em terras improdutivas e longe do comércio”.

Padre Janusz ZbroiecAlém das perdas econômicas, o padre Janusz Zbroniec vê os impactos sociais, culturais e ambientais. Apesar do nome polonês assustador, a figura doce conquistou respeito e admiração dos ribeirinhos, ganhando o apelido de padre João, e representando-os sempre que requisitado. A avaliação dele sobre a construção da barragem como está sendo proposta é uma perda de identidade cultural, um risco de tensão e conflitos sociais e uma modificação na fauna e flora da região.

Mesmo com as críticas, a construção da Barragem de Pedra Branca deverá acontecer, pois as estações de bombeamento dos canais do projeto de transposição do Rio São Francisco precisam de energia. Mas se depender dos pequenos agricultores, a obra não sairá do papel. O grupo pretende acampar no local e não vai sozinho. Integrantes do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), CPT (Comissão Pastoral da Terra) e MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) já confirmaram presença e aguardam apenas a indicação da data. “Nosso objetivo é barrar a obra ou, pelo menos, adiá-la por um tempo suficiente para negociar melhores recursos para nós”, explica seu João.

A obra prevê R$ 910 milhões de gastos, geração de 15 mil empregos durante a construção da barragem e produção de, no mínimo, 192 MW de energia. Cinco municípios serão diretamente atingidos: Juazeiro e Curaçá, na Bahia, e Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Pernambuco.