Selo de not�cias Como vivem os militares que trabalham nas obras do Eixo Leste da transposição do rio São Francisco

 

A campainha toca. São 5 h da manhã, hora da alvorada. Todos têm que levantar, se vestir e se apresentar em 15 minutos para o café da manhã. Não há distinção no Destacamento de Floresta, acampamento do Exército no Eixo Leste da obra de transposição. Cabos, soldados, sargentos e tenentes-coronéis seguem as mesmas condutas.

Jornada de trabalho das 6h às 18h, com duas horas para almoço; lei do silêncio a partir da 22h; fila para fazer uma ligação de, no máximo, 5 minutos no único telefone do acampamento, um orelhão; proibição de saída do alojamento durante a noite, domingos de folga. “O que falta neste país é disciplina para conseguir fazer qualquer coisa e isso é o que eu faço aqui”, conta o Tenente-Coronel Gurgel, coordenador do Destacamento.

Sob seu comando estão 200 militares, 165 do 3º Batalhão de Engenharia de Construção de Picos (PI), responsáveis pela obra, e 35 do 71º Batalhão de Infantaria de Garanhuns (PE), que cuidam da segurança. Todos estão instalados em 11 casas da Agrovila 6, uma área de reassentados da Barragem de Itaparica no município de Floresta. As casas foram alugadas e reformadas, receberam pinturas novas, gesso, cercas e ampliações. Uma delas virou cozinha e refeitório e outra, escritório da administração.

Do acampamento até a barragem são 8 km e até o canal de captação, 5 km. Os 120 militares que trabalham em campo nem voltam para o almoço, a fim de poupar tempo a comida é levada até eles. Os 45 restantes ficam na base em serviços médicos, cozinha, limpeza, construção, e administração.

No fim da tarde, outra vez a campainha soa. Agora, fim de expediente. Depois de um banho, os militares querem mesmo é descansar. As atividades da noite são livres, apenas com uma condicionante: nada de sair do acampamento. Como alternativa, eles jogam futebol, sinuca, fazem roda de violão, assistem TV, lêem. Há também a programação de lazer semanal: nas terças, sessões de filmes projetados em um telão; nas quartas, pizzaria na cidade; e aos sábados a rota é por conta deles.

Às 22h, a última campainha do dia. Hora do silêncio. Depois deste horário, todos precisam retornar às casas e se acomodar. A jornada de trabalho do outro dia será pesada e eles precisam estar inteiros. Até porque a campainha vai soar por mais 24 dias, até chegar a semana de folga.

Texto de Ticiani