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Atualizada em 27.09, às 21h20.

Depois de 20 anos de vida pacata, os moradores da Agrovila 6 tiveram que se acostumar com a presença e a rotina dos militares que trabalham no Eixo Leste

 

Quem vai visitar a Agrovila 6, no município de Floresta, tem uma surpresa logo na entrada. Uma comissão de frente formada por 5 militares fardados, portando fuzis, para todos os carros em uma blitz. Para entrar na comunidade é preciso apresentar documentação e dizer aonde vai. Os visitantes estranham, mas isso dá uma sensação de segurança. A dificuldade é para os moradores da vila, que depois de 20 anos precisam de autorização para entrar na própria casa.

O Tenente-Coronel Gurgel, coordenador do Destacamento do Exército, explica que o acesso às casas não é restrito, a barreira é apenas uma forma de controlar quem entra e quem sai da vila com pretensão de evitar assaltos e o Joselio _ Agrovila 6tráfico de drogas. Os moradores da Agrovila acham a segurança um aspecto positivo, mas enfrentam outro problema. “Ninguém aqui se incomoda com a barreira e o porte de armas, nosso medo é se houver qualquer reação ao trabalho dos militares e eles precisarem usá-las, ninguém sabe o que pode acontecer”, conta Josélio Amaro Lisboa, presidente da Associação dos Moradores da Agrovila 6.

Hoje, as 68 famílias vizinhas do Exército estão mais tranquilas e acostumadas. Os militares estão instalados na região há 3 meses e nada aconteceu. Além disso, a presença deles trouxe outros benefícios à comunidade. Na Agrovila não havia tratamento de água até a chegada do Batalhão e agora a água é pura e distribuída gratuitamente; há semanalmente recolhimento de lixo; estão disponíveis diariamente médicos, dentistas, barbeiros e ambulâncias; e são promovidas palestras educativas para os moradores. O comércio também se desenvolveu na vila, foram abertos 3 bares com mesas de sinuca e uma sorveteria.

A preocupação de Josélio é até quando esta paz e harmonia vão durar. “Acho muito difícil tanta gente em um lugar tão pequeno continuar tudo assim calmo por muito tempo”. A previsão é que os militares fiquem na região por 3 anos.

A vantagem maior é para as 11 famílias que saíram de suas casas e alugaram-nas para o Exército. Os moradores foram para seus terrenos na roça e conseguiram uma renda mensal extra, de R$ 100 a R$ 150. Antes dos militares se instalarem na região, os imóveis não eram valorizados e o aluguel girava em torno de R$ 50. Além do dinheiro, as famílias terão suas casas reformadas com gesso, pintura, cercas e ampliações.

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