Selo de not�ciasSe não houver um controle rigoroso da vazão retirada pelos canais dos eixos Leste e Norte o reservatório de Itaparica vai ficar abaixo do nível de água aceitável

 

A única usina hidrelétrica de Pernambuco corre o risco de ter sua geração de energia prejudicada pela transposição do rio São Francisco. A afirmação é do gerente da divisão regional da Usina Luiz Gonzaga Valdy Benigno dos Santos. O problema é que o reservatório de Itaparica é pequeno – possui 3,7 milhões de m3 de volume útil – e se a vazão retirada pelos canais do eixo Norte e Leste não for controlada a água acumulada na barragem será insuficiente.

“A transposição não interferiria na geração de energia, mas quem garante que a vazão retirada do rio vai ser mesmo só de 1%?”, contesta Valdy, citando o percentual que será desviado do São Francisco, alegado pelo governo, de 26 m3/s. O engenheiro mecânico, especialista em energia elétrica, explica que fiscalizar a vazão da água nos canais seria muito difícil e que a demanda nas cidades recebedoras vai aumentar nos períodos mais secos, justamente quando o nível de Itaparica estiver mais baixo.

Além disso, Valdy defende a revitalização antes da transposição. De todos os 168 afluentes do São Francisco 14 estão secos e muitos deles estão morrendo. “Tem que dar condição da água chegar até aqui, não é só tirar”, defende. Já houve secas nas quais a vazão do rio diminui para 700 m3/s, sendo a vazão média 2.800 m3/s.

 

Usina

A Luiz Gonzaga começou a ser planejada em 1975, durante o governo do militar Ernesto Geisel, para evitar uma falta de oferta de energia futura. A obra atrasou por dificuldades financeiras e o racionamento chegou, em 1987 – o que fez com que a usina fosse acelerada e concluída em 1988. Antes conhecida como Usina Hidrelétrica de Itaparica, ela tem capacidade de abastecer todo o estado de Pernambuco e gera 1.500 MW de potência.